10 Perguntas com Leonardo Lopes – Viagens, Liberdade e Algumas Verdades
Leonardo Lopes é formado em História, viajante e presença marcante em podcasts e redes sociais. Com opiniões afiadas e experiências em destinos como Coreia do Norte, Seychelles e Chernobyl, ele compartilha uma visão crítica e pessoal sobre o mundo. Nesta entrevista do bloco “10 Perguntas”, ele responde de forma aberta sobre política, liberdade, coleções e o que realmente pensa da vida.
1. Você sempre teve esse olhar curioso sobre o mundo ou foi algo que veio com o tempo?
Leonardo Lopes: “Acho que todo mundo tem o desejo de viajar, e acho que o meu nunca foi muito diferente da maioria. Eu comecei a ter um pouco de interesse por viajar com a minha primeira esposa. Tínhamos 3 viagens marcadas quando ela faleceu, com 27 anos. Duas delas eu cancelei, mas uma fiz com a minha mãe. Foi um momento muito difícil mas muito importante. Quando conheci minha segunda esposa, ela já tinha o hábito de viajar muito e acabei pegando este gosto com ela. Juntos viajamos 42 países e praticamente o Brasil todo.”
2. De todas as viagens que já fez, qual foi a que mais te marcou?
Leonardo Lopes: “Cada viagem tem um propósito e marca a gente de uma maneira diferente. Seja por uma paisagem incrível, uma história marcante, uma experiência única. No entanto, não tem como não dizer que a Coreia do Norte foi especial.”
3. Você costuma cutucar assuntos delicados, especialmente sobre regimes fechados. Já teve medo real?
Leonardo Lopes: “Por conta destes regimes não, mas eu sei que tem pessoas aqui muito simpáticas a estes regimes, especialmente a Coreia do Norte, e que têm contatos importantes e inclusive fazem parte de órgãos de propaganda norte-coreana. Mas isto não é algo que me preocupa, até porque não faço planos de voltar lá. Gostaria, mas acho que não vai rolar.”

4. Dá pra saber o que é verdade e o que é propaganda na Coreia do Norte?
Leonardo Lopes: “É muito difícil, até porque a questão da propaganda não é algo totalmente artificial para os cidadãos. Eles realmente acreditam no que falam, defendem suas ideias, seus sonhos e suas opiniões que foram todas forjadas pelo estado desde a infância. Não é algo falso, não é ensaiado, é a verdade para eles. Há sim uma preocupação muito grande com a repressão, e por isto qualquer crítica do governo, aos líderes e ao socialismo é intolerável, parte porque é a crença deles, como uma fé, e parte por medo. Um entusiasta pelo regime ou pelo socialismo, terá uma impressão maravilhosa e sairá de lá muito animado e esperançoso de levar aquele conceito para o mundo, já uma pessoa mais crítica e mais cética, entenderá que tudo não passa de medo e fantasia.”

5. Qual foi o país que mais te surpreendeu?
Leonardo Lopes: “A Coreia do Norte em muitos sentidos, um exemplo foi a questão dos automóveis, que eu achava que praticamente não tinha, e tem muitos. Táxis e outros serviços que eu não esperava encontrar lá. Seychelles eu fui com uma expectativa boa, mas o lugar é simplesmente maravilhoso, lindo demais. É um país da África, mas você se sente num vilarejo da Europa, tudo muito organizado e pessoas extremamente educadas. A Jamaica eu já imaginava que seria uma experiência complicada, mas infelizmente as pessoas com quem tive contato lá foram muito desagradáveis, uma experiência ruim neste sentido. A Turquia me surpreendeu positivamente, Capadócia e Istambul são muito interessantes e com muita coisa legal para ver. Eu também não tinha muita expectativa sobre Galápagos, mas a história, sua fauna peculiar, sua história, tudo deixou a viagem muito marcante. Bom, tem mais, mas já deu pra ter uma ideia.”
6. De onde veio a ideia de colecionar moedas e notas?
Leonardo Lopes: “Eu gosto de guardar itens que marcam uma experiência pessoal. Tenho coisas da minha infância e da minha adolescência que guardei pensando que seria legal um dia poder mostrar para meus filhos. Tenho Fita K7, filme fotográfico, dinheiro (Cruzeiro, Cruzado, Cruzado Novo…), ficha telefônica, disquete, tudo que eu usei e guardei para um dia mostrar para meus filhos. Eu comecei a guardar na minha viagem de lua-de-mel do primeiro casamento, quando fui para Argentina e Chile, e desde então peguei o hábito. Guardo também chaveiro e ímã de geladeira. Toda viagem tenho de trazer estes 3 itens. Acho que os mais especiais foram os da Coreia do Norte, porque é proibido trazer e a guia me deu escondido, e uma moeda do Qatar. No aeroporto é proibido transitar com moedas e eu não consegui nenhuma moeda, só notas. Mas no avião, pedi para a aeromoça se ela poderia trocar uma nota que eu tinha duplicada por moedas, e ela foi tentar achar com outras pessoas da tripulação até conseguir uma moeda para mim. Foi muito legal.”
7. Sua visão crítica vem da formação, da vida, da política?
Leonardo Lopes: “Acho que eu sempre fui muito crítico mesmo, muito questionador e uma pessoa difícil de ser convencida por algo. Não aceito algo apenas “porque sim”. Sempre tive muita curiosidade e busquei me informar sobre tudo. Minha educação sempre me incentivou a “saber de tudo”, acho que sou meio generalista neste ponto, não sou especialista em nada, mas tenho uma noção considerável sobre uma grande diversidade de temas. Meu pai sempre incentivou muito a “buscar saber” ao invés de falar que não sabe. Também fiz faculdade de História e isto me ajudou a entender muitas coisas também. Sobre política, é algo que venho desde criança, sempre tive muito interesse político, ainda criança ajudei em campanhas políticas, adorava assistir a “Semana do Presidente” do Sarney e curtia muito assistir propaganda política. Vai entender…rs”
8. O que você diz para quem romantiza regimes autoritários?
Leonardo Lopes: “Quem romantiza é porque concorda ideologicamente com ele e acredita que aquela ideologia está correta e as demais estão erradas. Pra mim, não se diferenciam em nada de religiões absolutistas. Chega um momento que não é mais pela razão, é pela fé, e quando algum fato questionar a razão, ele vai buscar uma justificativa, mesmo que frágil, para sustentar sua posição. A validação, o pertencimento, o senso de missão, o inimigo comum, o paraíso, tudo está presente num regime ditatorial e numa religião absolutista ou numa seita.”

9. Tem algum destino impossível que você ainda sonha conhecer?
Leonardo Lopes: “Tem alguns, Alemanha, Polônia, Japão certamente estão no topo da lista. Conhecer um vulcão ativo de lava explodindo, tipo os do Havaí, também. Ainda tenho vontade de explorar um pouco mais o Oriente Médio, conheci Qatar, Egito, Jordânia e a Turquia, que são países árabes muçulmanos, mas gostaria de conhecer outros.”
10. E por fim: o que você gostaria que as pessoas entendessem sobre você?
Leonardo Lopes: “Que eu tento ser o mais honesto e sincero possível nos meus tweets, mas normalmente eles acabam tendo um tom de desabafo, de raiva, de indignação, na forma de protesto ou deboche, mas isto não me resume. No dia a dia sou uma pessoa muito tranquila, leve, divertida, que trata todo mundo com muito respeito, que sou mole e me emociono muito facilmente com histórias tristes e de superação, que tenho muita disposição para ajudar pessoas, mas não gosto de falar sobre isto porque uma das coisas que mais critico é justamente quem sinaliza virtude, e também porque não acho que isto me torna melhor ou especial, na realidade acho que deveria ser o normal.”
Agradecimento Final
A equipe do bloco “10 Perguntas” agradece a Leonardo Lopes pela generosidade em compartilhar suas histórias, visões e experiências com tanta franqueza. Que suas ideias e vivências inspirem outros a enxergar o mundo com mais curiosidade, coragem e senso crítico.

Vejo os posts do Leonardo, e gosto muito da forma como ele se posiciona diante da bipolaridade política, e do esculacho que se tornou os nossos parlamentares, cada um com sua própria gangue, para sua auto defesa.