segunda-feira, janeiro 26, 2026
Espaço reservado para anúncio (728x90)
InícioBrasilOperação Carbono: Moro diz que usou tática da Lava Jato

Operação Carbono: Moro diz que usou tática da Lava Jato

A Operação Carbono, deflagrada pela Polícia Federal, ganhou repercussão nacional após o ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, afirmar que a investigação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) seguiu os mesmos métodos utilizados durante a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A declaração foi feita após a prisão de diversos integrantes do núcleo financeiro da facção criminosa.

Método Lava Jato replicado na Operação Carbono

Segundo Moro, a estratégia utilizada na Operação Carbono consistiu na “asfixia financeira” dos envolvidos, seguindo a lógica de que “sem dinheiro, o crime não sobrevive”. Foi exatamente essa lógica que guiou a Lava Jato: rastrear o fluxo de recursos ilícitos para desmontar redes de corrupção e desarticular organizações.

“A Lava Jato mostrou que é possível enfraquecer organizações poderosas ao atingir o coração financeiro delas. Agora, o mesmo raciocínio se aplica ao combate ao crime organizado”, declarou Moro em entrevista à imprensa.

Quem são os alvos da operação?

A Operação Carbono, deflagrada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e o Ministério Público Federal, teve como foco empresários e doleiros ligados ao PCC, suspeitos de movimentar bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro. Foram cumpridos dezenas de mandados de busca, apreensão e prisão em estados como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Entre os detidos, estão nomes já conhecidos das autoridades por envolvimento com lavagem de capitais, evasão de divisas e uso de empresas de fachada. A operação revelou ainda a utilização de criptomoedas e remessas internacionais para disfarçar o dinheiro ilícito.

Comparações com a Lava Jato reacendem debate

As declarações de Moro também reacenderam o debate sobre o legado da Lava Jato. Grupos favoráveis ao ex-juiz enxergam na Operação Carbono uma retomada do “espírito anticorrupção” que marcou a Lava Jato entre 2014 e 2018. Por outro lado, críticos argumentam que a comparação tenta resgatar politicamente a imagem de Moro em meio a um cenário em que a Lava Jato perdeu protagonismo e legitimidade aos olhos de parte da população.

Apesar da polêmica, o fato é que a Operação Carbono conseguiu reunir farto material probatório, com centenas de transações suspeitas rastreadas, documentos contábeis fraudulentos e até mesmo vínculos com agentes públicos investigados por prevaricação.

Repercussão política e institucional

A fala de Moro também provocou reações no Congresso. Parlamentares da oposição destacaram a necessidade de blindar a operação de qualquer tentativa de instrumentalização política. Já aliados de Moro o defenderam como alguém que “tem autoridade para aplicar os métodos que deram certo contra a corrupção agora também contra o crime organizado”.

Fontes da própria PF informaram que as investigações seguem em curso e novas fases da operação devem ser desencadeadas nas próximas semanas. O objetivo é atingir não só os operadores financeiros, mas também os intermediários e empresas que facilitaram a lavagem.

O que se sabe até agora

  • A Operação Carbono teve origem em relatórios de inteligência financeira da Receita e do Coaf;
  • Mais de 80 mandados foram expedidos em diversos estados;
  • A PF identificou mais de R$ 1,2 bilhão movimentados em contas de empresas suspeitas;
  • Há indícios de uso de criptomoedas para dificultar o rastreamento dos recursos;
  • A operação também mira estruturas paralelas do PCC em países vizinhos.

Ligação com Lava Jato: coincidência ou retomada?

Embora a Lava Jato tenha sido oficialmente descontinuada, sua metodologia — rastrear o dinheiro para alcançar os autores — continua a ser uma referência para operações que buscam atingir grandes estruturas criminosas. A Operação Carbono, nesse sentido, parece ser uma tentativa de reviver essa lógica em um novo contexto: o combate ao crime organizado.

“A sociedade precisa entender que não se combate o PCC apenas com armas e prisões. É necessário desmontar o sistema que sustenta essas facções, e isso passa por inteligência financeira”, concluiu Moro.

Carbono

Com a Operação Carbono, a Polícia Federal e órgãos de controle financeiro demonstram que, apesar das mudanças políticas e judiciais, a máquina investigativa pode — e deve — continuar ativa. Se a Lava Jato serviu de laboratório, a Carbono é o novo experimento no combate ao crime de alto nível.

Agora resta saber: haverá apoio institucional e jurídico suficiente para que essa ofensiva chegue até o fim?

ARTIGOS RELACIONADOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

- Advertisment -
Espaço para anúncio 300x250

MAIS POPULARES

COMENTÁRIOS RECENTES