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Sergio Moro fala sobre STF, crime organizado e desgoverno em 10 perguntas

Em entrevista Sergio Moro ao MIDIAGEM, o senador pelo Paraná responde a 10 perguntas diretas sobre anticorrupção, segurança pública, economia, cenário político e o papel do União Brasil em 2026. As respostas foram revisadas para clareza e fluidez editorial, mantendo integral fidelidade ao conteúdo.

Leitura recomendada no MIDIAGEM: mais análises e entrevistas.

1. Senador, o senhor assumiu o mandato no Senado em 2023 com a missão de representar o Paraná. Quais foram os momentos mais marcantes de sua atuação até agora, e como eles refletem seus compromissos com os paranaenses?

Sérgio Moro: “Tenho atuado como senador de oposição, mas de forma independente. Desde o início do mandato, venho defendendo a retomada da agenda anticorrupção e pautas essenciais para a segurança pública, áreas nas quais conseguimos avanços importantes. Tive papel relevante na aprovação da lei que pôs fim às saídas temporárias de presos em feriados. O projeto estava travado e uma emenda minha destravou a votação no Senado. Mais recentemente, outro projeto de minha autoria virou a Lei 15.245, que reforça a proteção de agentes da lei no enfrentamento ao crime organizado. Também defendo uma economia de perfil liberal, contrária ao aumento de tributos. Mesmo sem maioria no Congresso, conquistamos vitórias pontuais, como a proteção aos agentes públicos. A segurança segue essencial no Brasil e, embora eu desejasse maiores avanços na agenda anticorrupção, esse tema enfrenta dificuldades no Congresso e no Executivo.”

2. A segurança pública é uma de suas prioridades no Senado. Quais iniciativas o senhor tem defendido para enfrentar o crime organizado, especialmente após eventos como a Operação Sequaz?

Sérgio Moro: “Há uma escalada do crime organizado no país, como se viu recentemente no Rio de Janeiro, com facções usando drones para lançar explosivos contra policiais. O enfrentamento precisa ser prioridade. Destaco a Lei 15.245, de minha autoria, sancionada nesta semana, que aumenta a proteção de agentes da lei e criminaliza a conspiração e o planejamento de ataques contra autoridades. Agora a polícia e a Justiça podem agir de forma preventiva, antes do início da execução de atentados. Também fui relator do PL 2.262/2024, que restringe solturas automáticas em audiências de custódia, buscando equilíbrio entre direitos individuais e segurança da sociedade.”

3. O combate à corrupção continua sendo uma bandeira da sua trajetória. Como o senhor tem trabalhado no Senado para fortalecer transparência e accountability?

Sérgio Moro: “Combate e prevenção da corrupção são agendas fundamentais. Não há desenvolvimento com corrupção disseminada. Apesar de obstáculos no governo atual, sigo atuando para fortalecer controles. Proponho o que chamo de ‘Projeto das Lojas Americanas’, que cria a figura do whistleblower junto à CVM, com recompensas, inspirado na Lei Dodd-Frank de 2010, para coibir fraudes no mercado de capitais e prevenir suborno no setor privado. Aprovamos no Senado mais transparência no uso do cartão corporativo, ainda pendente na Câmara. Minhas emendas têm transparência ativa, publicadas em contatoseguro.com.br/gabineteSergioMoro.”

4. O Paraná tem economia diversa. Que ações o senhor tem promovido para apoiar desenvolvimento e empregos no estado?

Sérgio Moro: “Percorro o Paraná, ouvindo demandas e mapeando gargalos de infraestrutura. Defendo economia de mercado e responsabilidade fiscal. Hoje há intervencionismo e desequilíbrio que se tenta cobrir com aumento de tributos, ao qual me oponho. Precisamos reequilibrar as contas públicas. Juros elevados decorrem do endividamento e da desconfiança em relação à capacidade de pagamento do Estado, o que impacta investimentos. Na reforma tributária, me opus a benefícios desproporcionais que prejudicariam o Sul e o Sudeste. Em certas pautas vencemos, em outras não, por depender da maioria do Congresso, mas sigo defendendo competitividade para o Paraná.”

5. Além de segurança e corrupção, quais temas nacionais o senhor considera prioritários para os próximos anos?

Sérgio Moro: “O Brasil precisa se integrar mais ao mercado global. O protecionismo, via conteúdo local, gera ineficiências e dificulta a inserção nas cadeias produtivas. Devemos fomentar empresas de alta tecnologia. Entramos na era da inteligência artificial e ainda sofremos com instabilidade de energia. A agenda econômica do futuro exige abertura, modernização e inovação. Precisamos caminhar no sentido oposto ao do intervencionismo.”

6. Qual o papel do União Brasil na construção de um projeto político para 2026?

Sérgio Moro: “O União Brasil é um partido de direita e centro-direita, de oposição ao governo. Comparo a legenda à CDU da Alemanha em alguns aspectos: defesa do livre mercado, combate ao crime e responsabilidade fiscal, com políticas sociais sustentáveis. O partido busca construir candidatura própria para 2026 e oferecer alternativa sólida. O mais importante é mudar o rumo do governo federal.”

7. Relação entre os Três Poderes: como fortalecer harmonia e independência?

Sérgio Moro: “Há desequilíbrio. Respeito o STF, mas vejo avanços indevidos sobre temas do Legislativo, como na discussão sobre posse de drogas e na interferência na política de segurança do Rio de Janeiro. Falta a chamada ‘virtude passiva’ do tribunal. Podemos discutir emendas constitucionais para delimitar competências e buscar indicações de perfis mais moderados, comprometidos com a separação dos Poderes.”

8. Como as experiências de juiz e professor influenciam sua atuação no Senado?

Sérgio Moro: “Fui juiz por 22 anos e sou professor desde 1998. A formação jurídica ajuda na formulação de leis e políticas, sobretudo em justiça e segurança. A técnica normativa permite textos consistentes e aplicáveis. No Legislativo, essa base se traduz em atuação analítica e responsável.”

9. Que conselho o senhor dá aos jovens que sonham em atuar na política ou no serviço público?

Sérgio Moro: “Nunca percam o idealismo. A política tem momentos áridos, mas o propósito é servir ao interesse público. A integridade é essencial. Quem ocupa posição de poder ensina pelo exemplo e precisa manter a confiança da sociedade.”

10. Qual legado o senhor espera deixar como senador do Paraná?

Sérgio Moro: “Como juiz, conduzi a Operação Lava Jato, que mostrou que o Brasil pode ser diferente. Como ministro, buscamos reduzir crimes violentos e enfrentar o crime organizado com resultados concretos. Como senador, o desafio é distinto, mas sigo fiel a valores e princípios, mesmo diante de dificuldades. O legado final caberá ao tempo julgar. Minha carreira segue em andamento, com o compromisso de servir ao Paraná e ao Brasil.”

Sobre o entrevistado

Sérgio Moro é senador da República pelo estado do Paraná, eleito em outubro de 2022 e empossado em fevereiro de 2023. Natural de Maringá (PR), nascido em 1º de agosto de 1972, ele formou-se em Direito pela Universidade Estadual de Maringá, obteve mestrado e doutorado em Direito do Estado pela Universidade Federal do Paraná, e também participou de programa de estudos em Lavagem de Dinheiro na Harvard Law School. Atuou como juiz federal por mais de duas décadas, passando por casos de destaque como a Operação Lava Jato, e lecionou Direito Processual Penal na UFPR. Em 2019 foi nomeado ministro da Justiça e Segurança Pública do governo de Jair Bolsonaro, cargo que ocupou até abril de 2020. Militante do União Brasil, ele tem como prioridades legislativas a segurança pública, o combate à corrupção e o fomento à economia de mercado.

Além de sua trajetória pública, Moro é casado com Rosângela Wolff de Quadros e pai de dois filhos. Seu histórico técnico-jurídico, combinado à atuação política, faz dele uma das figuras centrais do debate contemporâneo sobre Estado, justiça e governança no Brasil.


Bloco de agradecimento

A redação do MIDIAGEM agradece ao senador Sergio Moro pela disponibilidade em participar desta entrevista Sergio Moro e pelo cuidado em responder a todas as questões propostas.

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