Omissão do Itamaraty à brasileira em Bali gera revolta
A omissão do Itamaraty à brasileira em Bali após o grave acidente de uma jovem brasileira em um vulcão na Indonésia expôs, mais uma vez, a fragilidade da diplomacia nacional em situações críticas. A publicitária Juliana Marins, de 26 anos, natural de Niterói (RJ), despencou cerca de 300 metros durante uma trilha no Monte Rinjani, sofrendo fraturas na coluna, pernas e necessitando de cirurgia urgente.
Quem é Juliana Marins, a vítima
Juliana Marins, 26 anos, é formada em Publicidade e estava viajando sozinha pela Ásia. Logo após a queda, mobilizou-se uma campanha de ajuda: uma vaquinha online que, até o momento, já ultrapassa os R$ 200 mil destinados a cobrir custos hospitalares em Bali. A divulgação em redes sociais acelerou a solidariedade, mas também acendeu críticas à ausência de providências oficiais.

Nota de apoio não substitui ação diplomática
Embora o Itamaraty tenha divulgado apenas uma “nota de apoio”, afirmando estar em contato com a família, nada foi feito em termos práticos: nenhuma equipe consular foi enviada, não houve negociação de tratamento com hospitais locais, tampouco foi iniciado um processo para reembolso ou apoio econômico oficial. Essa omissão do Itamaraty à brasileira em Bali contrasta com casos em que a diplomacia brasileira age rapidamente para repatriar cidadãos em risco.
Pressão nas redes e críticas contundentes
Nas redes sociais, o comentário da jornalista Flavia Ferronato ganhou ampla repercussão: “Além de notinha de apoio, cadê o plano concreto do Itamaraty ou do governo Lula para ajudar essa menina?” O influenciador Miguel também cobrou: “Falar bonito é fácil, agora mostrar ações é outra. Cadê envio de equipe diplomática, assistência médica ou cobertura dos custos?” Esses questionamentos alimentaram a narrativa de inoperância diplomática.
Itamaraty responde, mas especialistas rebatem
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores declarou que “presta assistência consular dentro dos limites legais e orçamentários”. Porém, especialistas — como o professor Maurício Santoro, da UERJ — afirmam que a falha é política, não estrutural. O consulado poderia ter negociado com hospitais, facilitado repatriação médica ou acionado fundos emergenciais.

Comparação com ações globais
Em outros governos, inclusive anteriores ao de Lula, a diplomacia brasileira já agitava missões emergenciais para casos semelhantes. Aqui, porém, reina o contraste: compare-se com episódios em que brasileiros foram presos, hospitalizados ou vítimas de violência no exterior — nesses casos, o Itamaraty agiu de forma ágil.
Histórico de omissão em outros casos consulares
A omissão do Itamaraty à brasileira em Bali não é um caso isolado. Em 2022, um brasileiro foi detido no Egito sem acesso imediato a representação diplomática, e a família só conseguiu contato com o consulado dias depois — com forte pressão da imprensa. Em 2019, um casal preso injustamente na Rússia por suspeita de tráfico enfrentou semanas sem qualquer tipo de amparo jurídico ou presença de representantes brasileiros. Esses episódios revelam um padrão preocupante: a lentidão, a burocracia e a falta de estrutura para respostas urgentes. A diplomacia humanitária, que deveria ser prioridade em situações-limite, é tratada com negligência.
Impacto político e desgaste internacional
A omissão do Itamaraty à brasileira em Bali ocorre em momento delicado: Lula busca reposicionar o Brasil como liderança global humanitária. Mas esse episódio mancha o discurso público. Internamente, reforça a visão da oposição de que há prioridades erradas; externamente, sinaliza vulnerabilidade diplomática.
Família assume protagonismo
Sem suporte oficial, a família de Juliana assumiu a dianteira, com a vaquinha e postagens nas redes sociais relatando o estado de saúde dela. Isso destaca a fragilidade institucional diante de emergências: a opinião pública é que organiza ações práticas, e não o Estado.
Conclusão? Ainda em curso.
O caso de Juliana segue em andamento. Ela permanece internada em Bali, a vaquinha aberta continua sendo vital, mas a atuação do governo é limitada. A omissão do Itamaraty à brasileira em Bali permanece em evidência — e continua sendo um retrato claro da defasagem diplomática do Brasil em momentos de crise.
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