A Operação Carbono, deflagrada pela Polícia Federal, ganhou repercussão nacional após o ex-ministro da Justiça e ex-juiz da Lava Jato, Sergio Moro, afirmar que a investigação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) seguiu os mesmos métodos utilizados durante a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba. A declaração foi feita após a prisão de diversos integrantes do núcleo financeiro da facção criminosa.
Método Lava Jato replicado na Operação Carbono
Segundo Moro, a estratégia utilizada na Operação Carbono consistiu na “asfixia financeira” dos envolvidos, seguindo a lógica de que “sem dinheiro, o crime não sobrevive”. Foi exatamente essa lógica que guiou a Lava Jato: rastrear o fluxo de recursos ilícitos para desmontar redes de corrupção e desarticular organizações.
“A Lava Jato mostrou que é possível enfraquecer organizações poderosas ao atingir o coração financeiro delas. Agora, o mesmo raciocínio se aplica ao combate ao crime organizado”, declarou Moro em entrevista à imprensa.
Quem são os alvos da operação?
A Operação Carbono, deflagrada em conjunto pela Polícia Federal, Receita Federal e o Ministério Público Federal, teve como foco empresários e doleiros ligados ao PCC, suspeitos de movimentar bilhões em esquemas de lavagem de dinheiro. Foram cumpridos dezenas de mandados de busca, apreensão e prisão em estados como São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Entre os detidos, estão nomes já conhecidos das autoridades por envolvimento com lavagem de capitais, evasão de divisas e uso de empresas de fachada. A operação revelou ainda a utilização de criptomoedas e remessas internacionais para disfarçar o dinheiro ilícito.
Comparações com a Lava Jato reacendem debate
As declarações de Moro também reacenderam o debate sobre o legado da Lava Jato. Grupos favoráveis ao ex-juiz enxergam na Operação Carbono uma retomada do “espírito anticorrupção” que marcou a Lava Jato entre 2014 e 2018. Por outro lado, críticos argumentam que a comparação tenta resgatar politicamente a imagem de Moro em meio a um cenário em que a Lava Jato perdeu protagonismo e legitimidade aos olhos de parte da população.
Apesar da polêmica, o fato é que a Operação Carbono conseguiu reunir farto material probatório, com centenas de transações suspeitas rastreadas, documentos contábeis fraudulentos e até mesmo vínculos com agentes públicos investigados por prevaricação.
Repercussão política e institucional
A fala de Moro também provocou reações no Congresso. Parlamentares da oposição destacaram a necessidade de blindar a operação de qualquer tentativa de instrumentalização política. Já aliados de Moro o defenderam como alguém que “tem autoridade para aplicar os métodos que deram certo contra a corrupção agora também contra o crime organizado”.
Fontes da própria PF informaram que as investigações seguem em curso e novas fases da operação devem ser desencadeadas nas próximas semanas. O objetivo é atingir não só os operadores financeiros, mas também os intermediários e empresas que facilitaram a lavagem.
O que se sabe até agora
- A Operação Carbono teve origem em relatórios de inteligência financeira da Receita e do Coaf;
- Mais de 80 mandados foram expedidos em diversos estados;
- A PF identificou mais de R$ 1,2 bilhão movimentados em contas de empresas suspeitas;
- Há indícios de uso de criptomoedas para dificultar o rastreamento dos recursos;
- A operação também mira estruturas paralelas do PCC em países vizinhos.
Ligação com Lava Jato: coincidência ou retomada?
Embora a Lava Jato tenha sido oficialmente descontinuada, sua metodologia — rastrear o dinheiro para alcançar os autores — continua a ser uma referência para operações que buscam atingir grandes estruturas criminosas. A Operação Carbono, nesse sentido, parece ser uma tentativa de reviver essa lógica em um novo contexto: o combate ao crime organizado.
“A sociedade precisa entender que não se combate o PCC apenas com armas e prisões. É necessário desmontar o sistema que sustenta essas facções, e isso passa por inteligência financeira”, concluiu Moro.
Carbono
Com a Operação Carbono, a Polícia Federal e órgãos de controle financeiro demonstram que, apesar das mudanças políticas e judiciais, a máquina investigativa pode — e deve — continuar ativa. Se a Lava Jato serviu de laboratório, a Carbono é o novo experimento no combate ao crime de alto nível.
Agora resta saber: haverá apoio institucional e jurídico suficiente para que essa ofensiva chegue até o fim?
