Lula messianismo
Durante a inauguração do Ramal do Apodi, no Rio São Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu um dos traços mais marcantes de sua retórica: o Messianismo político. Em tom exaltado, declarou: “Deus deixou o sertão sem água porque ele sabia que eu ia ser presidente da República e que eu ia trazer água pra cá”. A fala rapidamente repercutiu e despertou críticas sobre o culto à personalidade e a apropriação simbólica de causas coletivas como méritos individuais.
O discurso messiânico de Lula
O uso de referências religiosas e messiânicas sempre esteve presente na comunicação de Lula. Ele se posiciona como um líder escolhido, quase divino, capaz de resolver problemas históricos como a seca no Nordeste. Essa narrativa reforça a imagem de que só ele pode levar salvação ao povo. O problema é que esse discurso ignora o esforço de décadas de técnicos, engenheiros, governos anteriores e da própria população nordestina.
O Lula messianismo não é novo. Em diferentes momentos de sua trajetória, o ex-metalúrgico utilizou simbolismos religiosos para reforçar sua conexão emocional com o eleitorado mais pobre, principalmente no Norte e Nordeste do país. A ideia de um líder que “vem para salvar” é poderosa, mas perigosa: cria dependência emocional e política, além de distorcer a realidade institucional.
Quando o messianismo se sobrepõe à democracia
O conceito de Lula messianismo pode parecer carismático, mas esconde um desvio preocupante: a personalização extrema do poder. Em vez de valorizar o papel do Estado e das instituições públicas na condução de políticas públicas, o discurso messiânico reduz tudo à figura de um homem providencial. É a lógica do “eu fiz”, “eu trouxe”, “eu resolvi”.
Na prática, isso enfraquece o debate democrático. Projetos coletivos são tratados como dádivas individuais. O povo deixa de ser sujeito histórico para se tornar espectador de uma narrativa centrada em um salvador. É o oposto da construção de cidadania ativa.
A obra do Rio São Francisco não começou com Lula
A transposição do Rio São Francisco é, de fato, uma das maiores obras de infraestrutura hídrica da história do Brasil. Mas atribuí-la exclusivamente a Lula é, no mínimo, injusto. O projeto começou a ser desenhado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, teve avanços sob Lula e Dilma, foi retomado por Temer e concluído durante o governo Jair Bolsonaro.
Reduzir toda essa trajetória à figura de um único presidente é uma forma de revisionismo político. É apagar o papel de técnicos, engenheiros, prefeitos e parlamentares que colaboraram ao longo de décadas para que a água chegasse ao sertão.
Lula messianismo x política institucional
Ao adotar uma postura de salvador, Lula não apenas exalta sua figura, mas também obscurece o funcionamento da política institucional. O messianismo político fragiliza os sistemas de freios e contrapesos e incentiva a ideia de que o destino do país está nas mãos de um único homem.
Além disso, esse tipo de narrativa fortalece o populismo e enfraquece o senso de responsabilidade coletiva. Políticas públicas eficientes não são milagre, mas fruto de planejamento, continuidade e diálogo entre diferentes atores políticos e sociais.
Conclusão: o sertão precisa de água, não de heróis
O Nordeste brasileiro enfrenta desafios históricos que exigem soluções reais, sustentáveis e inclusivas. A retórica messiânica de Lula, por mais envolvente que seja, não resolve os problemas estruturais. É preciso reconhecer o esforço coletivo e descentralizado que viabilizou obras como a transposição do Rio São Francisco.
O Lula messianismo pode garantir manchetes, mas não deve guiar a política pública. O povo nordestino merece reconhecimento, investimento e respeito – e não ser reduzido a figurante em uma epopeia política centrada em uma só figura.

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