quarta-feira, janeiro 21, 2026
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Xenofobia: Processo Disciplinar Contra Bobadilla

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Xenofobia: Processo Disciplinar Contra Bobadilla

Xenofobia: A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) instaurou um processo disciplinar contra o meio-campista paraguaio Damián Bobadilla, atleta do São Paulo Futebol Clube, após denúncia de xenofobia feita pelo lateral-esquerdo venezuelano Miguel Navarro, do Talleres, durante partida da Copa Libertadores realizada no estádio Morumbis, em São Paulo, na última quarta-feira (29).

De acordo com Navarro, o episódio ocorreu nos minutos finais da partida, logo após o segundo gol do São Paulo, que selou a vitória do time brasileiro por 2 a 1. O venezuelano afirma ter sido alvo de insultos xenofóbicos por parte de Bobadilla, que o teria chamado de “venezuelano morto de fome” em tom ofensivo e discriminatório. O comentário teria sido feito durante uma discussão entre os jogadores, acirrada pela tensão do jogo.

Navarro ficou visivelmente abalado após o suposto insulto. Imagens de transmissão mostram o jogador com os olhos marejados, emocionado e inconsolável. Segundo relatos de membros da equipe argentina, o lateral considerou deixar o campo imediatamente, mas decidiu permanecer até o apito final. Após o término da partida, o jogador dirigiu-se à delegacia improvisada no estádio e registrou um boletim de ocorrência relatando o caso. Duas testemunhas – ambas jogadores do Talleres – confirmaram a versão de Navarro à polícia e à imprensa argentina.

A denúncia rapidamente repercutiu nas redes sociais e na mídia esportiva internacional, aumentando a pressão sobre a Conmebol para uma resposta firme e ágil. A entidade confirmou, por meio de nota oficial, a abertura de um processo com base no artigo 15 do Código Disciplinar, que trata de condutas discriminatórias. A norma prevê uma suspensão mínima de dez partidas ou um período de quatro meses para quem cometer atos de racismo, xenofobia ou qualquer outro tipo de intolerância.

Em vídeo publicado nas redes sociais no dia seguinte ao jogo, Damián Bobadilla pediu desculpas públicas a Navarro e à comunidade venezuelana. Ele reconheceu que reagiu de forma inadequada em um momento de forte emoção e pressão, mas negou ter tido intenção discriminatória. “Peço desculpas por qualquer ofensa causada. Não foi minha intenção magoar ninguém com base em sua nacionalidade. Reagi no calor do jogo, e me arrependo profundamente”, afirmou o jogador.

O São Paulo Futebol Clube também se manifestou oficialmente sobre o episódio. Em nota, o clube declarou que repudia veementemente qualquer tipo de discriminação, reafirmando seu compromisso com os valores de respeito e inclusão no esporte. A diretoria prometeu acompanhar de perto o desenrolar das investigações e adiantou que medidas educativas e de conscientização serão adotadas com Bobadilla e o restante do elenco.

Além da apuração na esfera esportiva, o caso também será analisado pela justiça criminal brasileira. Bobadilla foi intimado a prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Delitos de Intolerância Esportiva (DRADIE), nesta sexta-feira (31), onde poderá apresentar sua versão dos fatos.

A Federação Venezuelana de Futebol (FVF) publicou um comunicado expressando total apoio a Miguel Navarro e destacando a gravidade do ocorrido. A entidade pediu sanções exemplares à Conmebol e à FIFA, além de reforço nos protocolos de combate à discriminação nas competições sul-americanas. “O futebol deve ser um espaço de união, respeito e igualdade. Atitudes discriminatórias não podem ser toleradas sob nenhuma circunstância”, declarou a FVF.

Este é o segundo episódio de xenofobia registrado na atual edição da Copa Libertadores. Em abril, o meio-campista uruguaio Pablo Ceppelini, então atuando pelo Cuiabá, foi punido com uma suspensão de quatro meses após chamar um torcedor do Boca Juniors de “boliviano” de maneira pejorativa durante confronto pela fase preliminar do torneio.

A Conmebol indicou que continuará apurando os detalhes do incidente envolvendo Bobadilla e Navarro, e uma decisão definitiva deve ser anunciada nas próximas semanas. O caso é acompanhado de perto por entidades esportivas, autoridades e organizações de direitos humanos, dada sua relevância no combate à intolerância dentro e fora dos gramados.

Xenofobia: Processo Disciplinar Contra Bobadilla

Lula messianismo: o salvador do sertão ou a repetição de uma velha narrativa?

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Lula messianismo

Durante a inauguração do Ramal do Apodi, no Rio São Francisco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reacendeu um dos traços mais marcantes de sua retórica: o Messianismo político. Em tom exaltado, declarou: “Deus deixou o sertão sem água porque ele sabia que eu ia ser presidente da República e que eu ia trazer água pra cá”. A fala rapidamente repercutiu e despertou críticas sobre o culto à personalidade e a apropriação simbólica de causas coletivas como méritos individuais.

O discurso messiânico de Lula

O uso de referências religiosas e messiânicas sempre esteve presente na comunicação de Lula. Ele se posiciona como um líder escolhido, quase divino, capaz de resolver problemas históricos como a seca no Nordeste. Essa narrativa reforça a imagem de que só ele pode levar salvação ao povo. O problema é que esse discurso ignora o esforço de décadas de técnicos, engenheiros, governos anteriores e da própria população nordestina.

O Lula messianismo não é novo. Em diferentes momentos de sua trajetória, o ex-metalúrgico utilizou simbolismos religiosos para reforçar sua conexão emocional com o eleitorado mais pobre, principalmente no Norte e Nordeste do país. A ideia de um líder que “vem para salvar” é poderosa, mas perigosa: cria dependência emocional e política, além de distorcer a realidade institucional.

Quando o messianismo se sobrepõe à democracia

O conceito de Lula messianismo pode parecer carismático, mas esconde um desvio preocupante: a personalização extrema do poder. Em vez de valorizar o papel do Estado e das instituições públicas na condução de políticas públicas, o discurso messiânico reduz tudo à figura de um homem providencial. É a lógica do “eu fiz”, “eu trouxe”, “eu resolvi”.

Na prática, isso enfraquece o debate democrático. Projetos coletivos são tratados como dádivas individuais. O povo deixa de ser sujeito histórico para se tornar espectador de uma narrativa centrada em um salvador. É o oposto da construção de cidadania ativa.

A obra do Rio São Francisco não começou com Lula

A transposição do Rio São Francisco é, de fato, uma das maiores obras de infraestrutura hídrica da história do Brasil. Mas atribuí-la exclusivamente a Lula é, no mínimo, injusto. O projeto começou a ser desenhado ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, teve avanços sob Lula e Dilma, foi retomado por Temer e concluído durante o governo Jair Bolsonaro.

Reduzir toda essa trajetória à figura de um único presidente é uma forma de revisionismo político. É apagar o papel de técnicos, engenheiros, prefeitos e parlamentares que colaboraram ao longo de décadas para que a água chegasse ao sertão.

Lula messianismo x política institucional

Ao adotar uma postura de salvador, Lula não apenas exalta sua figura, mas também obscurece o funcionamento da política institucional. O messianismo político fragiliza os sistemas de freios e contrapesos e incentiva a ideia de que o destino do país está nas mãos de um único homem.

Além disso, esse tipo de narrativa fortalece o populismo e enfraquece o senso de responsabilidade coletiva. Políticas públicas eficientes não são milagre, mas fruto de planejamento, continuidade e diálogo entre diferentes atores políticos e sociais.

Conclusão: o sertão precisa de água, não de heróis

O Nordeste brasileiro enfrenta desafios históricos que exigem soluções reais, sustentáveis e inclusivas. A retórica messiânica de Lula, por mais envolvente que seja, não resolve os problemas estruturais. É preciso reconhecer o esforço coletivo e descentralizado que viabilizou obras como a transposição do Rio São Francisco.

O Lula messianismo pode garantir manchetes, mas não deve guiar a política pública. O povo nordestino merece reconhecimento, investimento e respeito – e não ser reduzido a figurante em uma epopeia política centrada em uma só figura.