O que o Brasil compra do Irã: entenda as importações brasileiras
O que o Brasil compra do Irã é uma pergunta que ganha relevância diante dos conflitos geopolíticos e das sanções internacionais ao país persa. Apesar do isolamento do Irã por parte de potências ocidentais, o Brasil continua importando diversos produtos iranianos, especialmente no setor de fertilizantes e energia.
O que o Brasil compra do Irã em fertilizantes e energia
Entre os itens que o Brasil mais compra do Irã estão derivados petroquímicos, como ureia — fertilizante essencial para a agricultura brasileira. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a ureia corresponde a mais de 70% das importações brasileiras provenientes do Irã nos últimos anos.
Além disso, o país também importa outros insumos da indústria química e, em menor escala, alimentos e matérias-primas para o setor têxtil. O Irã se posiciona como fornecedor estratégico desses insumos devido ao preço competitivo e à demanda constante no agronegócio brasileiro.
Impacto das sanções internacionais
Mesmo com as sanções impostas pelos Estados Unidos e pela União Europeia ao Irã, o Brasil mantém relações comerciais sob parâmetros legais permitidos. As trocas ocorrem por meio de acordos bilaterais e mecanismos de pagamento que evitam o sistema financeiro tradicional, reduzindo o risco de penalidades secundárias.
De acordo com a Câmara dos Deputados, parlamentares já discutiram a necessidade de reforçar a diplomacia comercial com países sancionados, visando garantir insumos estratégicos para o mercado interno. Isso inclui o Irã, que, apesar das restrições, ainda representa um parceiro relevante em áreas específicas.

Evolução do comércio bilateral
Nos últimos cinco anos, o volume de importações do Irã para o Brasil oscilou entre US$ 300 e 500 milhões anuais. A maior parte das transações ocorre através de empresas de grande porte, com intermediação de bancos de países neutros, como a Suíça e os Emirados Árabes Unidos.
Entender o que o Brasil compra do Irã é essencial para analisar os riscos e benefícios dessas trocas comerciais em tempos de sanções.
O comércio é influenciado por variações cambiais, crises políticas e decisões de política externa de ambos os países. Em 2022, por exemplo, o volume de importações caiu após uma reavaliação dos riscos cambiais e operacionais ligados ao comércio com países sob sanções.
Perspectivas para os próximos anos
A expectativa é que o Brasil continue comprando produtos iranianos, especialmente fertilizantes, enquanto busca diversificar suas fontes de abastecimento. Com o aumento da demanda no setor agrícola, a dependência de insumos como a ureia ainda coloca o Irã como player relevante.
Além disso, especialistas apontam que uma eventual flexibilização das sanções internacionais — caso ocorra — poderia ampliar as possibilidades comerciais entre os dois países. Porém, o cenário ainda depende de avanços diplomáticos na questão nuclear iraniana.
Para entender mais sobre como o Brasil lida com parceiros comerciais em zonas de conflito, veja nossa análise sobre comércio com países sob sanções.
Dependência do agronegócio brasileiro
O agronegócio brasileiro, responsável por uma parcela significativa do PIB nacional, depende fortemente de fertilizantes nitrogenados. O Irã, com sua produção abundante de ureia e outros derivados do gás natural, figura entre os principais exportadores desses insumos para países agrícolas, como o Brasil.
Debater o que o Brasil compra do Irã também exige refletir sobre o alinhamento geopolítico brasileiro e suas implicações internacionais.
A falta de alternativas confiáveis ou economicamente viáveis torna a manutenção dessas importações uma prioridade estratégica. Mesmo em contextos adversos, o Brasil busca proteger essa cadeia de suprimentos, essencial para garantir produtividade no campo e segurança alimentar interna.
Mesmo com críticas, o que o Brasil compra do Irã segue sendo tratado como prioridade estratégica no setor agrícola.

Interesses diplomáticos e pragmatismo econômico
Historicamente, a diplomacia brasileira procura manter uma postura independente nas relações internacionais, favorecendo o diálogo multilateral e a neutralidade em conflitos entre potências. Essa abordagem facilita o comércio com países que enfrentam sanções ou isolamento diplomático.
No caso do Irã, o Itamaraty adota um tom cauteloso, priorizando os interesses comerciais e evitando posicionamentos políticos que possam prejudicar os fluxos de importação. Essa postura pragmática permite preservar o fornecimento de insumos críticos mesmo diante de pressões externas.
Postura do governo Lula levanta questionamentos
A continuidade das importações do Irã sob o governo Lula tem gerado críticas de especialistas em política externa e segurança internacional. Um dos pontos mais discutidos é a manutenção da dependência brasileira de insumos estratégicos oriundos de regimes autoritários, como o iraniano, que está sob sanções por seu histórico de violações de direitos humanos e programas nucleares não supervisionados.
Além disso, a postura diplomática adotada pelo atual governo — marcada por neutralidade e diálogo com regimes isolados — tem sido interpretada como excessivamente conciliadora. Críticos apontam que, ao evitar posicionamentos firmes, o Brasil acaba se distanciando de seus principais parceiros ocidentais em nome de um pragmatismo comercial.
Esse pragmatismo, embora comum na diplomacia brasileira, pode ser visto por aliados como uma ambiguidade estratégica. Ao manter relações próximas com países como Irã, Venezuela e Rússia, o governo Lula corre o risco de enviar sinais contraditórios sobre seus compromissos com a democracia, os direitos humanos e o equilíbrio geopolítico internacional.







