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Aumento de deputados: 18 novas cadeiras e gastos públicos – veja quem votou contra

O aumento de deputados foi aprovado no Congresso e eleva de 513 para 531 o número de cadeiras na Câmara a partir da próxima legislatura. A medida, que decorre de uma reinterpretação baseada no Censo 2022, reacendeu críticas sobre o custo da máquina pública. Especialistas e senadores apontam que a decisão, embora constitucional, tem consequências fiscais diretas e amplia o distanciamento entre a classe política e a sociedade.

Por que o aumento de deputados foi proposto?

A Constituição define que a quantidade de deputados federais deve ser redistribuída proporcionalmente à população dos estados, com base no Censo. O mínimo é de 8 e o máximo de 70 deputados por unidade da federação. No entanto, ao invés de redistribuir as 513 cadeiras já existentes, o Congresso optou por criar 18 novas vagas, elevando o total para 531. O aumento de deputados foi justificado como uma tentativa de corrigir distorções representativas — mas enfrenta críticas por inflar o custo do Legislativo.

Gasto anual estimado: R$ 65 milhões

Segundo estimativas da própria Câmara, o impacto orçamentário com o aumento de deputados será de aproximadamente R$ 64,6 milhões por ano. Esse custo inclui salários, cotas parlamentares, passagens, benefícios indiretos e estrutura administrativa mínima. O projeto também vai gerar desdobramentos nos estados, com aumento proporcional no número de deputados estaduais em ao menos nove Assembleias Legislativas.

Quem são os parlamentares contra o aumento de deputados?

No Senado, 33 parlamentares votaram contra. Entre os mais vocalizados estão Eduardo Girão (Novo‑CE), Marcos Rogério (PL‑RO), Plínio Valério (PSDB‑AM) e Sergio Moro (União-PR), que usou o X para justificar seu voto contrário. Moro afirmou: “Votei contra o projeto de lei que aumenta o número de deputados federais. Entendo a posição oposta dos colegas, principalmente daqueles de regiões que ganham representatividade, mas acredito que, neste momento de contenção de gastos, o aumento da Câmara se torna desnecessário.”

Já na Câmara, 36 deputados se opuseram à medida, com destaque para partidos como PSOL, Rede, Novo e Cidadania. A seguir, listamos quem foram os senadores que votaram contra o aumento de deputados.

Senadores que votaram contra o aumento de deputados

  • Alan Rick
  • Cleitinho
  • Confúcio Moura
  • Damares Alves
  • Eduardo Girão
  • Esperidião Amin
  • Flávio Bolsonaro
  • Giordano
  • Hamilton Mourão
  • Humberto Costa
  • Ivete da Silveira
  • Jaime Bagattoli
  • Jayme Campos
  • Leila Barros
  • Luis Carlos Heinze
  • Magno Malta
  • Mara Gabrilli
  • Marcelo Bittar
  • Marcos Rogério
  • Mecias de Jesus
  • Omar Aziz
  • Oriovisto Guimarães
  • Otto Alencar
  • Paulo Paim
  • Plínio Valério
  • Rogério Carvalho
  • Sergio Moro
  • Soraya Thronicke
  • Teresa Leitão
  • Veneziano Vital do Rêgo
  • Wellington Fagundes
  • Weverton
  • Zequinha Marinho

Estados que ganham cadeiras

  • Santa Catarina: +4
  • Pará: +4
  • Amazonas: +2
  • Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais: +1 cada

Com isso, estados que antes se sentiam subrepresentados aumentam seu peso político no Congresso. Nenhum estado perdeu cadeiras.

Impacto nas Assembleias Legislativas

Como o número de deputados estaduais é calculado com base no número de deputados federais (de 24 a 94% do total), o aumento de deputados aprovado também inflaciona o número de cadeiras nos legislativos estaduais. Segundo levantamento da Agência Pública, o impacto pode chegar a R$ 845 milhões em quatro anos, somando salários e estruturas.

Argumentos a favor e contra

Os defensores da medida, como Hugo Motta (Republicanos‑PB) e Damião Feliciano (União‑PB), afirmam que o aumento de deputados apenas “corrige injustiças federativas” com base no novo Censo. Já os críticos dizem que a redistribuição poderia ter sido feita com o mesmo número de deputados e acusam o Congresso de inflar a máquina pública por conveniência política.

O que pensam os brasileiros?

Segundo pesquisa Datafolha, 76% da população é contra o aumento de deputados. O dado foi citado por senadores durante a votação e reforça o clima de insatisfação com o gasto público e a representatividade do Congresso.

Próximos passos

O projeto retorna à Câmara dos Deputados para a confirmação da versão aprovada no Senado. Após isso, seguirá para sanção presidencial. Se o texto for sancionado até 30 de junho, o novo número de cadeiras já valerá nas eleições de 2026. Caso contrário, o TSE fará a redistribuição dentro do limite atual de 513 deputados.

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